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Arquivo da Categoria azzurra

quarta-feira, 27 de outubro de 2010 azzurra, campeonato italiano, jogadores | 16:04

Três em um

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Peço, de novo, desculpas pelo sumiço. O tempo tem sido curto e por isso mesmo o blog deve ter novidades em breve. Eis as últimas colunas publicadas no Jornal Placar, respectivamente sobre a violência das organizadas no futebol italiano, os destaques (até aqui) do Campeonato 2010-11 e o prestígio de Cesar Prandelli, novo técnico da seleção italiana.  Comentários no mesmo link, per favore. 

O Brasil é ali
 
Faz algum tempo, o futebol italiano era exemplo de organização e sucesso para outros países. Já nas últimas semanas, além de não conseguir coibir a ação de vândalos sérvios que impossibilitaram a disputa de um jogo entre Itália e Sérvia pelas Eliminatórias da Eurocopa, o país assistiu à agressão de torcedores organizados do Napoli, armados com tacos de beisebol e facas, contra simpatizantes do Liverpool que foram à Itália para ver um jogo da Liga Europa.

Há tempos as autoridades italianas vêm tentando inibir as ações dos tais “organizados”. Leis como a que permite a prisão de torcedores em flagrante ou mesmo a carteira do torcedor, que facilita a identificação dos criminosos, foram aprovadas com muita dificuldade, tamanha a força dos grupos organizados conhecidos como Ultràs. “O problema da Itália são as torcidas organizadas. São elas que mandam no nosso futebol”, chegou a dizer o técnico Fabio Capello pouco antes de deixar o país para comandar a seleção inglesa.

Não à toa, portanto, o futebol italiano, antes invejado por todo o planeta, passou o contar com média de público inferior às de Alemanha, Inglaterra e Espanha, as outras três grandes praças do futebol europeu. Se no Brasil tínhamos a Itália como modelo, hoje os italianos têm a mesma sensação em relação a seus vizinhos europeus. Se eles conseguirem resolver seu problema, voltarão a ser o melhor exemplo para o Brasil. Porque, hoje, Itália e Brasil não são muito diferentes.

Os destaques

Foram apenas sete rodadas. Mas, posto que em cada um dos candidatos ao título italiano há um jogador que se sobressai, já é possível arriscar quais os nomes que devem brigar pelo título de destaque da competição daqui a alguns meses.

Na Inter, após uma temporada se sacrificando e atuando mais como meio-campista do que como atacante sob o comando de José Mourinho, Samuel Eto’o voltou a ser o artilheiro de outras temporadas, marcando belos e decisivos gols.

No Milan, Ibrahimovic tem justificado com gols e, pasmem, até assistências, o otimismo que tomou conta da torcida milanista depois de sua contratação; Pato, não fossem suas constantes lesões, até poderia até rivalizar com o sueco, mas hoje não o faz.

Na Juventus, o meio-campista sérvio Krasic, inicialmente comparado com Pavel Nedved por sua semelhança física com o tcheco, tem dado espetáculo; a continuar nesse ritmo, as comparações com o Bola de Ouro de 2003 farão sentido também pelos feitos em campo.

Na Capital, talvez seja exagero apontar um destaque da Roma, que decepciona com mais um início vacilante; se for o caso de fazê-lo, porém, as indicações devem apontar para o recém-contratado Borriello.

É obrigatório, por outro lado, apontar o principal nome da Lazio, a atual e surpreendente líder do torneio. E, neste caso, não há que não concorde: é o brasileiro Hernanes o melhor. Para boa parte da imprensa italiana, aliás, o melhor do campeonato.


Prandelli

A Itália teve seu primeiro tropeço nas Eliminatórias da Euro 2012 no sábado, quando empatou por 0 a 0 com a Irlanda do Norte. Nada grave, tanto que o time de Cesare Prandelli segue na liderança de sua chave, com 7 pontos em 9 disputados. Não só por isso, porém, a imprensa italiana já demonstrou que será generosa com o treinador, eleito duas vezes o melhor técnico do país com a Fiorentina.

Prandelli seduz não só a imprensa, mas os italianos em geral, também por outros motivos, menos profissionais. Porque é do tipo que em 2004, na então grande chance de sua carreira, abriu mão de um contrato milionário com a Roma para passar com sua mulher, então doente, os últimos meses de sua vida (isso deveria ser normal…). Porque é do tipo que tem a gratidão como virtude: quando pode, cita o nome do desconhecido Franco Ferrari, seu professor no curso de técnicos obrigatório do calcio, como responsável por seu sucesso. Porque é do tipo que, por sua honestidade, quase nunca se ouviu críticas nem de seus comandados (algo quase impossível nesse meio). O caráter também ajudou a colocá-lo, entre os técnicos, como um dos maiores ídolos da exigente torcida da Fiorentina (basta sua imagem aparecer no telão de estádio Artemio Franchi que todos se levantam para aplaudir).

Agora, Prandelli diz que sua missão será voltar a unir a Itália em torno da seleção. Ele mostrou ter condições de fazê-lo tecnicamente. Mas também porque os italianos (e a imprensa) o respeitam e adoram.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010 azzurra, técnicos | 10:16

O ABC DA NOVA ITÁLIA

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“Prandelli começa pelo ABC”. Foi este o título da Gazzetta dello Sport sobre a primeira convocação do novo técnico da seleção italiana, Cesare Prandelli (foto), que fará hoje sua estreia pela Azzurra em um amistoso contra a Costa do Marfim, em Londres.

O “ABC” se refere a Amauri, Balotelli e Cassano. Três jogadores ignorados por Marcelo Lippi na última Copa do Mundo, mas que passam a representar a mudança de mentalidade no comando desta nova Itália.
 
O ítalo-brasileiro Amauri, que pela má fase que atravessava foi a ausência menos contestada pela opinião pública italiana na África, significa maior espaço a jogadores estrangeiros; a nova Itália deve, a partir de agora, abrir sua seleção aos oriundi, seguindo o modelo do que já é feito – com sucesso – pela Alemanha.
 
Balotelli, que com apenas 19 anos é uma das maiores promessas do futebol italiano, representa o olhar no futuro: em um país onde o temor de escalar jovens predomina até mesmo no campeonato nacional, ao convocar o polêmico Balotelli para a seleção principal, Prandelli indica que, em prol da qualidade, não terá medo de “queimar etapas”.
 
Já a convocação de Antonio Cassano, da Sampdoria, indica o óbvio: em uma seleção devem estar os melhores. Aos 28 anos, Cassano, se não é o melhor, está entre os três melhores jogadores do futebol italiano. Seu temperamento, por ora, não foi impedimento para sua convocação: “Na minha apresentação, quis apostar na qualidade”, justificou Prandelli.
 
Amauri não é craque. Balotelli e Cassano são malucos (beleza?). Os três, portanto, podem até não dar certo na seleção. Mas, nesta primeira convocação, são eles os símbolos da “nova Itália”.

A LISTA DE PRANDELLI

Goleiros:
Marchetti (Cagliari), Sirigu (Palermo), Viviano (Bologna)

Defensores
Antonini (Milan), Astori (Cagliari), Bonucci (Juventus), Cassani (Palermo), Chiellini (Juventus), Lucchini (Sampdoria), Molinaro (Stoccarda), Motta (Juventus)

Meio-campistas
De Rossi (Roma), Lazzari (Cagliari), Marchisio (Juventus), Montolivo (Fiorentina), Palombo (Sampdoria), Pepe (Juventus)

Atacantes
Amauri (Juventus), Balotelli (Inter), Borriello (Milan), Cassano (Sampdoria), Quagliarella (Napoli), Rossi (Villarreal)

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sexta-feira, 25 de junho de 2010 azzurra, copa do mundo | 09:46

A derrota do clichê

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O clichê, desta vez, não prevaleceu. Depois de quase um mês ouvindo que “a Itália começa mal, mas acaba dando muito trabalho” nas Copas, vimos a Azzurra cair. O campeão voltou, mas voltou para casa. Em um grupo que contava com Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia, os italianos conseguiram a façanha de ficar na última colocação. Cair na primeira fase, para a Itália, era um feito inédito desde 1974.

Não há empenho, final emocionante, contestação de gol anulado, lágrimas ou comparação com a França que salve a medíocre seleção italiana de Marcelo Lippi. Não comento pelo resultado. Escrevi em coluna publicada no Jornal Placar, há duas semanas:  “Com um time envelhecido e fraco tecnicamente, restaria à Itália torcer pelo peso de sua camisa e pelo triunfo do imponderável. O problema é que o imponderável, que tantas vezes prega peças em times mais fortes para premiar os mais fracos, não costuma entrar em ação muitas vezes seguidas. Motivo pelo qual a Itália não deve ir longe nesta Copa.”

Os motivos da eliminação italiana não são novidades, portanto. A única novidade é que Marcelo Lippi passou a admitir erros. “Se você se apresenta com medo na perna e na cabeça, significa que o técnico não preparou bem o grupo”, disse após a queda. Pois Lippi erra até ao apontar seus erros. Porque o que ficou evidente nesta Copa é que o técnico optou por levar “seus amigos” à África, mesmo que sem condições físicas. Para isso, abriu mão da qualidade (que existe, sim, no futebol italiano).

Resta à torcida o consolo de lembrar que Cesare Prandelli será o novo técnico da Azzurra. Um técnico que costuma dar valor a bons jogadores. Simples assim, como deveria ser.

*** Peço desculpas aos que reclamam pela ausência. A culpa não é da Jabulani. Mas o ritmo deste blog, até o fim do Mundial, não deve melhorar. Apenas para registro por aqui, deixo o link do texto que escrevi sobre Marchetti (Há cinco anos, novo titular da Itália estava desempregado), no canal de Copa do iG.

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sexta-feira, 14 de maio de 2010 azzurra, copa do mundo, jogadores | 10:30

Lippi pior que Dunga

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Marcelo Lippi garante que não deixou de chamar Totti pela falta desleal em Balotelli (ver post abaixo)

 
Técnicos de seleções, às vésperas de uma Copa, têm em geral duas opções: convocar os melhores ou convocar aqueles que atravessam melhor momento — a Copa, afinal, é um torneio de tiro curto. Marcelo Lippi, bom técnico campeão mundial com a seleção italiana, conseguiu não fazer nem uma coisa nem outra. Não convocou os que são melhores, casos de Francesco Totti, Alessandro Del Piero ou Antonio Cassano, e tampouco aqueles que estão melhores, como Fabrizio Miccoli, do Palermo.

Sua lista de 30 jogadores tem como base, com 8 convocados, a Juventus de Turim, time que protagonizou o maior fiasco na temporada entre os grandes clubes da Itália. Além de levar à África jogadores que atravessam má fase técnica, Lippi incluiu em seu grupo pelo menos cinco atletas em condições físicas duvidosas. Tudo em nome da “unidade do grupo”, fator considerado pelo próprio Lippi a principal virtude da Itália tetracampeã mundial em 2006.

Priorizar o conjunto em detrimento do talento não é privilégio de Lippi, claro. O leitor, a esta altura, já deve estar pensando em Dunga. Mas os casos são diferentes: Dunga abriu mão de Ronaldinho, Ganso e Neymar, mas tem Kaká e Robinho; tem dois jogadores diferenciados, capazes de decidir, de improvisar, de surpreender. Lippi poderia, mas não tem ninguém assim em seu elenco. Tem De Rossi e Pirlo, dois ótimos volantes, como seus melhores jogadores. A seleção italiana irá à África sem nenhum jogador daqueles que, na Itália, são chamados de fuoriclasse, os fora de série.

Dunga priorizou o conjunto. Lippi ignorou o talento.

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sexta-feira, 5 de março de 2010 azzurra, copa do mundo | 09:47

Renovação x qualidade

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Cossu, em sua estreia pela seleção italiana (AFP)

Após o empate por 0 x 0 com Camarões no amistoso da última quarta-feira, o técnico da seleção italiana, Marcelo Lippi, elogiou as duas principais novidades de sua desfalcada equipe: o meia Andrea Cossu, do Cagliari, e principalmente o zagueiro Leonardo Bonucci, do Bari. A imprensa registrou.

No dia seguinte ao amistoso, porém, os jornais já traziam as seguintes declarações. De Del Piero: “Meu grande se sonho se chama Copa 2010. A camisa azzurra é a máxima aspiração que um jogador pode ter”. De Luca Toni: “Lippi conhece meu valor e sabe aquilo que posso dar. Eu ainda espero. Temos mais de dois meses até a Copa”. Dias antes, Francesco Totti afirmara o seguinte: “Março e abril serão meses decisivos para saber se irei à Copa. Verei minhas condições físicas e decidirei junto com o Lippi”.

Na Itália, as tradições e as experiências do passado têm muito valor, e as renovações ou mudanças costumam ser vistas, no mínimo, com desconfiança. Por isso, como aconteceu recentemente com o Milan, não faltam por aí, no Brasil inclusive, críticas à dificuldade italiana de buscar e aceitar renovações em seu grupo.

Em casos como os de Totti e Del Piero, porém, as apostas não seriam no passado vitorioso de 2006, mas na qualidade e no bom futebol. Ou alguém acha que a “renovação” Cossu, com seus 29 anos, virá um dia jogar o que jogam (ainda hoje) os ídolos de Roma e Juventus?

Novo lobby
Um novo nome surgiu cotado pela imprensa para ir à Copa, com direito até a apoio do presidente da Federação Italiana, Giancarlo Abete. Trata-se do jovem (este sim) Mario Balotelli, da Internazionale. O garoto chegou a apostar um jantar dizendo que vai à África. Lippi, porém, não deu indicação alguma disso.   

Técnicos top
Se a Itália não chegará à Copa tão badalada como alguns de seus rivais, o mesmo não se pode dizer dos técnicos italianos: Fabio Capello, comandante da seleção inglesa, e Marcelo Lippi, da italiana, são os dois treinadores mais bem pagos do Mundial, com salários de 8,8 e 3 milhões de euros/ano, respectivamente. Leia mais sobre os salários dos técnicos do Mundial clicando aqui.

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domingo, 27 de dezembro de 2009 azzurra, campeonato italiano | 19:39

Arrivederci

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Antes tarde do que nunca, eis que dou uma breve passada por aqui para dizer que voltarei apenas em 2010, no meio de janeiro.

Espero voltar bem mais presente do que estive neste intenso final de 2009. Espero retornar para ver a tetracampeã italiana menos covarde na Liga dos Campeões da Europa. Assim como espero ver emoção (com Milan, Juve e Roma no páreo, quem sabe?)  na reta final do Italiano. E, já que Cassano não rola, espero ver Marcelo Lippi convocar Francesco Totti para que a Azzurra possa defender com um pouco mais de qualidade seu título na Copa do Mundo.

Espero, também, que vocês tenham um ótimo ano.

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sábado, 5 de dezembro de 2009 azzurra, campeonato italiano, milan | 17:54

Hora do filé

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Comentei há pouco Milan 3 x 0 Sampdoria na ESPN. Ótimo, mas ótimo mesmo, começo de Ronaldinho, que deixou o campo com uma leve contratura aos 34 do primeiro tempo. O jogo já estava 3 x 0, dois passes seus, para Boriello e Seedorf. Thiago Silva, Pirlo e Pato também foram bem. E a Samp, com Cassano e Pazzini sumidos, depois dos 3 x 0 sofridos no derby contra o Genoa, parece que sentiu o baque.  Pena para o Italiano.

Mas não é a rodada que me traz aqui, e sim a coluna da última sexta do Jornal Placar. Esqueci de publicá-la por aqui, como faço de costume. Então lá vai. E vamos à TV seguir Juventus x Inter, deixando para um outro dia, quem sabe, os comentários sobre a teoricamente baba de grupo que coube à Italia para o Mundial 2010. Adesso me ne vado.  Ciao. A coluna:

HORA DO FILÉ

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Zidane e Thuram já fizeram o mesmo pela França. Henrik Larsson agiu assim com a Suécia. Marcos, de certa forma, é um representante brasileiro. Mas, talvez, nenhum jogador no mundo simbolize melhor a categoria dos que comem-o-filé-mas-não-roem-o-osso como Francesco Totti.

Refiro-me à declaração dada nesta semana pelo ótimo meia da Roma e (será?) da seleção italiana: “Os veteranos pediram meu retorno, mas em abril vou conversar com o (técnico Marcelo) Lippi. Dependendo das minhas condições, se acharmos que é o caso, eu irei à Copa”.

Como se sabe, após o título mundial com a Azzurra em 2006, Totti abandonou a seleção. Bons motivos não lhe faltavam: a intenção de se dedicar exclusivamente ao time da Roma, sua grande paixão, e, principalmente, a série de problemas físicos que lhe impediam de jogar tantas partidas de alto nível em uma temporada. Só que o tempo passou e, com ele, além das eliminatórias e da Euro 2008, passaram uma dura e cansativa Eliminatória Européia para o Mundial e alguns amistosos aborrecidos.

Totti não roeu estes ossos, mas, ao que parece, estará pronto para saborear o filé da Copa. Ainda há, na Itália, quem torça o nariz para sua atitude. Mas não se trata da maioria: esta sabe bem que, com a qualidade de Totti, o filé sul-africano pode ser bem mais saboroso. 

JÁ NESTA…
Caso oposto ao de Totti ocorre com o zagueiro Nesta, do Milan. Apesar do bom início de temporada, ele foi claro: “Passei por várias cirurgias, consegui voltar a jogar, mas tenho que ter consciência das minhas limitações”. Apesar dos pedidos, Nesta já afirmou: não vai à Copa nem em sonho.

 E O DERBY
O “derby d’Italia” entre Juventus e Internazionale, que ocorre neste sábado, em Turim, completou 100 anos no último dia 14. A Inter é o time que a Juve mais enfrentou em sua história. Nas estatísticas dos 211 jogos, 94 vitórias juventinas, 65 triunfos interistas, 52 empates e 569 gols marcados.

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009 azzurra, milan | 04:32

Pazzini x Amauri

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pazzoamauri

 
Na semana passada, o atacante da Sampdoria e da seleção italiana Giampaolo Pazzini não teve dúvidas ao criticar a possível convocação do brasileiro Amauri, da Juventus, para defender a Azzurra: “A situação me deixa incomodado. Posso entender quando alguém é meio brasileiro e meio italiano, mas não quando não tem nada de italiano”. A resposta não tardou: “Escolhi jogar pela Itália há um ano. Sempre respeitei a opinião de todos, inclusive as de Pazzini, e peço que respeitem a minha”.

Talvez Pazzini tenha razão. Talvez as convocações de atletas cuja opção de defender uma nova pátria esteja atrelada à recusa de sua seleção ‘de nascimento’ sejam discutíveis. Talvez. Ainda assim, as declarações do atacante italiano soam mal, muito mal. Pazzini, como concorrente direto de Amauri por um posto na Copa do Mundo, deveria ficar calado. A discussão, se é que deve existir, não deveria contar com sua participação. Pazzini tem 25 anos e Amauri, 29. Pazzini é cidadão italiano, coisa que Amauri só deve conseguir ser por volta de março. Pazzini, me parece, tem até mais futebol. E já tem tido a chance de mostrá-lo na seleção, ao contrário do atacante da Juventus. Pazzini, portanto, não deveria tentar ganhar a vaga no grito. Mas no campo.

Cassano x Lippi
Semanas atrás, Cassano afirmou que, quanto mais se falava dele, mais ele via como improvável sua convocação à seleção italiana. A edição desta sexta-feira da revista L’Espresso publica entrevista com o técnico da Azzurra, Marcelo Lippi, que praticamente comprova a tese: “Fico triste por Cassano, porque se trata de um bom garoto. Mas criou-se uma situação inacreditável”.

Gattuso x Leonardo
“Não quero esperar que alguém jogue mal ou se machuque para ser utilizado”. A frase, dita ontem pelo volante Gattuso, do Milan, mostra que Leonardo está enfrentando algumas dificuldades para gerenciar o renomado (mas envelhecido) elenco do clube. Coisa que Carlo Ancelotti, justiça seja feita, sempre fez com maestria. No seu tempo, reclamações do tipo eram raríssimas.

* Texto publicado nesta sexta-feira, 27/11, no Jornal Placar.


PS
: Peço perdão aos fiéis leitores deste blog pelas raras atualizações nas últimas semanas. Mudanças e novas atribuições profissionais me impedem de estar mais presente. Mas quem sabe aos poucos, como Ronaldinho Gaúcho, a gente não vai recuperando o velho desempenho?

PS2: Neste fim de semana comento Udinese x Livorno, a partir das 14h55 de sábado, com narração de Luiz Carlos Largo, e Internazionale x Fiorentina, a partir das 11h30 de domingo (com Abre o Jogo), narraçao de João Palomino. Ambos na ESPN Internacional.

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009 azzurra, técnicos | 10:24

Movidos a fúria

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Para encerrar o tema Azzura e voltar ao Italiano, a coluninha de hoje do jornal Placar.

coluna2

Marcelo Lippi, técnico da seleção italiana, achou vergonhosas as vaias, os gritos de “vão trabalhar” e os pedidos de convocação de Antonio Cassano que foi obrigado a escutar quarta-feira, em Parma, onde seu time perdia por 2 x 0 para o Chipre, pelas Eliminatórias da Copa. A Itália, já garantida no Mundial, entrou em campo cheia de reservas e só virou o jogo quando Gilardino marcou três gols nos 15 minutos finais. Lippi explicou: queria dar chance a todos os jogadores do seu grupo — que, ninguém nega, é uma união só. Mas apenas a união, nesse caso, não tem feito a força. Tanto que a virada italiana ocorreu depois que o técnico substituiu três de seus reservas por De Rossi, Camoranesi e Di Natale.

Após a partida, o jornal La Gazzetta dello Sport definiu a seleção como “cada vez mais ‘lippiana’: unida, orgulhosa, mas feinha”. O técnico, por sua vez, não escondeu a irritação: “Conseguimos a classificação antecipadamente, somos os campeões do mundo, jogamos um jogo que não vale nada com um time todo mudado e, em vez de apoiar, a torcida nos manda trabalhar? No fim, é fácil gritar Itália. Os garotos merecem mais respeito. Estou irritado como um animal!”. Historicamente, esse clima de desconfiança, contestação e irritação é positivo para a Azzurra. E, em 2010, se Lippi continuar abrindo mão de seus melhores jogadores, terá que voltar fazer a diferença.

Subs e subs
A Itália, que também abriu mão de seus melhores jogadores sub-20 no Mundial da categoria, resolveu escalá-los no último jogo das Eliminatórias do Europeu sub-21. Porém, mesmo com nomes como Balotelli e Macheda em campo, o time só empatou com a Bósnia e vive situação complicada para ir à fase final.

Que fases
Juventus x Fiorentina e Genoa x Internazionale são, pelo menos do ponto de vista da tabela, as duas grandes partidas da 8ª rodada do Campeonato Italiano, que acontece neste fim de semana. Mais um reflexo das melancólicas fases que vivem Milan e Roma, que se enfrentam no estádio San Siro, em Milão.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009 azzurra, copa do mundo | 17:13

Reabriu?

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gilardino_italia_gettyItália 3 x 2 Chipre. O jogo deveria servir para reservas como Santon, Gamberini, Bocchetti, Pepe, Rossi e D’Agostino ficarem mais perto de garantir uma vaga no grupo que disputará a Copa do Mundo pela Itália. Pois não ficaram.

Foi Gilardino (foto Getty), o homem que já havia garantido a vaga para o Mundial no jogo anterior, contra a Irlanda, a carimbar seu passaporte para a África do Sul: marcou, em 15 minutos, os três gols da virada sobre os cipriotas, que venciam por 2 x 0 até os 33 minutos do segundo tempo. 

Foi feio, bem feio, mesmo já classificada para a Copa, a Itália sair perdendo por 2 x 0 para o Chipre, jogando em casa. Perdia com o time cheio de reservas? Beleza. Mas, como eu já disse, esperava-se que os tais reservas pudessem, também, mostrar serviço e convencer Lippi de que devem ir à Copa.

Não mostraram. E não só porque perdiam o jogo contra um adversário bem mais fraco — o que acontece —, mas porque perdiam com justiça. Os três gols de Gilardino, aliás, só saíram depois que Pepe, Rossi e D’Agostino foram substituídos por Di Natale, Camoranesi e De Rossi.

Portanto, se o grupo de titulares da seleção italiana é praticamente “imexível”, para relembrar o saudoso (?) ministro Magri, o de reservas não deveria sê-lo.

E então, quem sabe, depois do semi-tropeço desta quarta-feira, Lippi não decida modificá-lo, garantindo o espaço que, aqueles que gostam de bom futebol sabem, deve ser de Francesco Totti e, eu não quero perder as esperanças (mas deveria), de Antonio Cassano.

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