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terça-feira, 10 de agosto de 2010 azzurra, técnicos | 10:16

O ABC DA NOVA ITÁLIA

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“Prandelli começa pelo ABC”. Foi este o título da Gazzetta dello Sport sobre a primeira convocação do novo técnico da seleção italiana, Cesare Prandelli (foto), que fará hoje sua estreia pela Azzurra em um amistoso contra a Costa do Marfim, em Londres.

O “ABC” se refere a Amauri, Balotelli e Cassano. Três jogadores ignorados por Marcelo Lippi na última Copa do Mundo, mas que passam a representar a mudança de mentalidade no comando desta nova Itália.
 
O ítalo-brasileiro Amauri, que pela má fase que atravessava foi a ausência menos contestada pela opinião pública italiana na África, significa maior espaço a jogadores estrangeiros; a nova Itália deve, a partir de agora, abrir sua seleção aos oriundi, seguindo o modelo do que já é feito – com sucesso – pela Alemanha.
 
Balotelli, que com apenas 19 anos é uma das maiores promessas do futebol italiano, representa o olhar no futuro: em um país onde o temor de escalar jovens predomina até mesmo no campeonato nacional, ao convocar o polêmico Balotelli para a seleção principal, Prandelli indica que, em prol da qualidade, não terá medo de “queimar etapas”.
 
Já a convocação de Antonio Cassano, da Sampdoria, indica o óbvio: em uma seleção devem estar os melhores. Aos 28 anos, Cassano, se não é o melhor, está entre os três melhores jogadores do futebol italiano. Seu temperamento, por ora, não foi impedimento para sua convocação: “Na minha apresentação, quis apostar na qualidade”, justificou Prandelli.
 
Amauri não é craque. Balotelli e Cassano são malucos (beleza?). Os três, portanto, podem até não dar certo na seleção. Mas, nesta primeira convocação, são eles os símbolos da “nova Itália”.

A LISTA DE PRANDELLI

Goleiros:
Marchetti (Cagliari), Sirigu (Palermo), Viviano (Bologna)

Defensores
Antonini (Milan), Astori (Cagliari), Bonucci (Juventus), Cassani (Palermo), Chiellini (Juventus), Lucchini (Sampdoria), Molinaro (Stoccarda), Motta (Juventus)

Meio-campistas
De Rossi (Roma), Lazzari (Cagliari), Marchisio (Juventus), Montolivo (Fiorentina), Palombo (Sampdoria), Pepe (Juventus)

Atacantes
Amauri (Juventus), Balotelli (Inter), Borriello (Milan), Cassano (Sampdoria), Quagliarella (Napoli), Rossi (Villarreal)

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sexta-feira, 21 de maio de 2010 campeonato italiano, inter, jogadores, liga dos campeões, técnicos | 11:19

O peso dos campeões

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A Inter chegou lá. Depois de ganhar a Copa da Itália, e com mais dificuldade do que há algum tempo aparentava que teria, conquistou o pentacampeonato italiano no último domingo. Um clichê, “a força do conjunto”, tem sido apontado pela imprensa italiana como a principal qualidade do time.

Pode até ser, mas o jornal La Gazzetta dello Sport não se eximiu de atribuir notas a todos os jogadores que participaram da conquista. Um exercício que nos ajuda bem a entender a importância individual de cada um dos campeões italianos.

Vamos às notas: o artilheiro Milito, único “perfeito”, 10. Sneijder ficou com um 9,5, seguido pelo 9 do capitão Zanetti, que completou o “pódio” dos mais importantes. Depois do trio, vieram, juntos, Eto’o, Maicon, Samuel e Lúcio, todos com nota 8. Júlio César e Thiago Motta ficaram com 7,5. Balotelli, Cordoba, Chivu, Pandev e Stankovic receberam 7. Materazzi, Mariga e Vieira, 6,5. Tanto a Muntari como a Santon coube um 6. Quaresma ficou com 5,5 e, por fim, o brasileiro Mancini, que não deixou saudades ao trocar o time pelo rival Milan, 5. Khrin, Arnautovic, Suazo e Stevanovic, que jogaram pouco, e os goleiros Toldo e Orlandoni, que nem jogaram, não receberam notas.

As avaliações referem-se apenas ao Campeonato Italiano. Não levam em conta os jogos da Liga dos Campeões, cuja final acontece no sábado, em Madri, entre Inter e Bayern. E não se enganem: em caso de vitória italiana no torneio europeu, pelo qual a Inter é absolutamente obcecada após 45 anos sem título, a maior nota não será atribuída a um jogador. Mas a um técnico que, definitivamente, não precisaria de mais elogios…

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sexta-feira, 30 de abril de 2010 inter, liga dos campeões, técnicos | 10:37

Nas mãos de Mourinho

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“Pensei que tinha chegado ao máximo da empatia possível com os torcedores do Chelsea. Mas minha empatia com os da Inter é ainda maior. Estou apaixonado pelo clube e por estes torcedores, mas não pelo futebol italiano: este eu respeito, mas não amo”. Assim José Mourinho comentou aquilo que classificou como a “melhor derrota da sua vida”: Barcelona 1 x 0 Internazionale, resultado que levou a Inter, depois de 38 anos, a uma final de Liga dos Campeões da Europa.

Não é a primeira vez que Mourinho faz questão de dizer “não amar” o futebol italiano. A recíproca, porém, não tem sido verdadeira. Depois da classificação da Inter, os italianos, de novo, caíram de amores pelo português. Claudio Ranieri, seu desafeto e técnico da concorrente Roma no Campeonato Italiano, chamou de “espetacular” a classificação interista. Silvio Berlusconi, dono do Milan, brindou pelo feito do rival. Jornais do país não pouparam elogios ao português, acima de todos. Na Itália, Mourinho virou o símbolo de uma classificação heróica.

Agora, na final contra o Bayern de Munique, a Inter jogará por todo o futebol italiano. Não apenas simbolicamente: se vencer no tempo normal ou na prorrogação, manterá a Itália com 4 vagas na Liga dos Campeões da Europa de 2011-12. Se empatar ou perder da decisão, os italianos perderão uma vaga para o futebol alemão. Ironia do destino, o calcio está nas mãos de José Mourinho. O que hoje em dia, apesar da “falta de amor” do português, parece um ótimo negócio.

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 jogadores, milan, roma, técnicos | 10:45

O primeiro ministro e o dirigente

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berluscaEsclareço desde já: não tenho simpatia política pelo primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi. Pelo contrário. Mas é inegável que, como dono do Milan, Berlusconi é daqueles dirigentes que dão ao noticiário esportivo, muitas vezes monótono e cheio de clichês, um tempero especial — assim como José Mourinho na categoria dos técnicos. Ao contrário da justiça desportiva italiana, Berlusconi não achou ruim quando o zagueiro Materazzi comemorou a vitória da Inter sobre o Milan usando uma máscara de… Berlusconi! O cartola é indiscutivelmente querido por seus jogadores pela maneira informal como os trata. Até na hora de dar declarações sobre o clube, o político-dirigente não é de embromar. Disse sobre a recente contratação do brasileiro Mancini, ex-Internazionale: “Não entendi sua contratação. É mais um meio-campista, quando precisávamos de alguém que finalizasse. O Mancini está parado há dois anos! Não concordo com sua contratação e já falei ao [Adriano] Galliani [vice-presidente do Milan]”. O caso parece exagerado — um erro, até. Mas, num time vencedor como o Milan, mostra que dirigentes nem sempre precisam se esconder atrás de dissimulações e mentiras para ter sucesso. No caso específico de Berlusconi, talvez o futebol funcione para dar vazão aos seus arroubos de sinceridade: nos estádios, eles são bem menos nocivos do que em um parlamento.

*   E o prestígio do brasileiro Mancini não é mesmo dos maiores na Itália atualmente. Sobre a transferência de seu ex-jogador, o técnico da Inter, José Mourinho, disse o seguinte, com um sorriso irônico no rosto: “Estou muito muito muito satisfeito que Mancini tenha ido ao Milan”.

*   Não há por que duvidar do Corriere della Sera, o jornal mais importante da Itália, quando ele informa que Ronaldinho Gaúcho fez festa em um hotel às vésperas do derby contra a Inter. Mas é curioso como as tais festas tinham cessado apenas quando o Milan estava vencendo, não?

*   Aliás, no momento em que as notícias no Milan voltam a ser as festas de Ronaldinho, Buffon diz que o objetivo da Juventus é chegar à Liga dos Campeões, e Ranieri afirma que não pretende iludir seus torcedores sobre chances de título da Roma. Ou seja: segundo seu próprios rivais, parece, a Inter já pode comemorar o penta.

*   Marcelo Lippi disse que não é surpresa a força que seu colega Fabio Capello conseguiu dar à em geral desacreditada seleção inglesa. Mas, de olho na Copa, lançou um desafio: “Gostaria de uma bela final entre Itália e Inglaterra para ver como ele se comportará na hora do hino italiano”.

*   Comentário do jornal La Gazzetta dello Sport sobre a entrada de Julio Baptista nos 2 x 0 contra a Udinese, ontem, pela Copa da Itália: “Se mexe como um cavalo louco: generoso, mas improdutivo”. De Rossi, em grande fase, foi de novo determinante com o ótimo lançamento para o gol de Vucinic.

*   Mario Balottelli recebeu multa de 22 mil euros por indisciplina, desta vez por xingar José Mourinho ao ser substituído durante o jogo contra a Fiorentina, quarta-feira, pela Copa da Itália. Apesar de sua pouca idade (19), cada dia mais tenho menos esperanças de ver Balotelli virar, de fato, um grande jogador. É o efeito Cassano.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009 entrevistas, técnicos, vídeos | 18:44

O problema da geração e o exemplo brasileiro

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A entrevista de José Mourinho é de sexta-feira passada, antes da vitória da Inter por 2 x 1 sobre o Catania — pelo menos por enquanto, já aviso, não vou falar da rodada. É aquela entrevista em que o técnico português não poupou críticas ao garoto Mario Balotelli (1’30” do vídeo abaixo), dizendo que só o escala porque, hoje, não tem outras opções.

Na entrevista, que repercutiu bastante por toda a Europa e chegou a ser noticiada no Brasil, o português diz coisas interessantes e afirma ter “quase” chegado à conclusão de que o problema de Balotelli é um problema de geração (2’30”):

“Um problema das pessoas que cercam os jogadores dessa geração. E os jogadores são mais vítimas que qualquer coisa”. Para ele, hoje, é uma exceção e um milagre “um jogador de 19 ou 20 anos que tem os pais equilibrados e que não pensam em dinheiro, que tem um irmão e uma irmã que seguem sua vida sem atrapalhar ninguém, que tem um procurador que lhe dá toda traqulidade e que tem a qualidade de trabalhar e ser muito feliz de guiar um carro pequeno sem pensar em Ferrari”.

Isso tudo, como eu disse, já tinha saído mais ou menos por aqui. O que não vi divulgado foi o exemplo brasileiro que Mourinho utilizou nesta mesma entrevista (5’30”):

“Olha, eu tive um jogador que até hoje é o mais jovem a ter marcado um gol na Liga dos Campeões. Não sei onde ele joga hoje. Sei que ganhou a Champions de 2004, que em 2005 foi ao Corinthians, que em 2006 jogou no Werder Bremen, que em 2007 voltou ao Corinthians e em 2008 foi para Flamengo ou Fluminense. Não sei onde joga hoje, mas é um jogador espetacular. Carlos Alberto”.

Ainda que tenha omitido as passagens por São Paulo e Botafogo, Mourinho mostrou vir acompanhando bem a carreira de Carlos Alberto. Que aliás, depois dessa, poderia até tentar cavar uma vaguinha na poderosa Inter de Milão.

Se não acredita que o vascaíno tenha sido utilizado como exemplo por José Mourinho, pode conferir no vídeo abaixo (no minuto 5’30”, como já disse).

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009 técnicos, vídeos | 10:16

Professor-artilheiro

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Quem não se lembra de Dragan Stojković? Muita gente, eu sei. Trata-se daquele ótimo meio-campista sérvio de grande sucesso com as camisas do Estrela Vermelha e do Olympique de Marselha, pelo qual ganhou uma Liga dos Campeões. Para quem não sabe, ele também jogou por um aninho no Verona, e é esse o link (um pouco forçado, eu sei) que utilizarei para colocar neste blog sobre futebol italiano o vídeo abaixo.

Hoje com 44 anos, Stojković é técnico e dirige o Nagoya Grampus, do Japão. Embora não jogue mais, continua com os pés calibradíssimos: repare só no “golaço que marcou”, de primeira, do banco de reservas do seu time. Depois do feito (que, claro, nada valeu), o sérvio não resistiu e, como nos velhos tempos, saiu vibrando. Para delírio da torcida nipônica. Assista:

Depois do golaço, diante da reação do público, o árbitro expulsou Stojković. Que lamentou, com um sorriso no rosto: “Pena, não queria ofender ninguém. Mas foi um golaço!”.

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009 azzurra, técnicos | 10:24

Movidos a fúria

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Para encerrar o tema Azzura e voltar ao Italiano, a coluninha de hoje do jornal Placar.

coluna2

Marcelo Lippi, técnico da seleção italiana, achou vergonhosas as vaias, os gritos de “vão trabalhar” e os pedidos de convocação de Antonio Cassano que foi obrigado a escutar quarta-feira, em Parma, onde seu time perdia por 2 x 0 para o Chipre, pelas Eliminatórias da Copa. A Itália, já garantida no Mundial, entrou em campo cheia de reservas e só virou o jogo quando Gilardino marcou três gols nos 15 minutos finais. Lippi explicou: queria dar chance a todos os jogadores do seu grupo — que, ninguém nega, é uma união só. Mas apenas a união, nesse caso, não tem feito a força. Tanto que a virada italiana ocorreu depois que o técnico substituiu três de seus reservas por De Rossi, Camoranesi e Di Natale.

Após a partida, o jornal La Gazzetta dello Sport definiu a seleção como “cada vez mais ‘lippiana’: unida, orgulhosa, mas feinha”. O técnico, por sua vez, não escondeu a irritação: “Conseguimos a classificação antecipadamente, somos os campeões do mundo, jogamos um jogo que não vale nada com um time todo mudado e, em vez de apoiar, a torcida nos manda trabalhar? No fim, é fácil gritar Itália. Os garotos merecem mais respeito. Estou irritado como um animal!”. Historicamente, esse clima de desconfiança, contestação e irritação é positivo para a Azzurra. E, em 2010, se Lippi continuar abrindo mão de seus melhores jogadores, terá que voltar fazer a diferença.

Subs e subs
A Itália, que também abriu mão de seus melhores jogadores sub-20 no Mundial da categoria, resolveu escalá-los no último jogo das Eliminatórias do Europeu sub-21. Porém, mesmo com nomes como Balotelli e Macheda em campo, o time só empatou com a Bósnia e vive situação complicada para ir à fase final.

Que fases
Juventus x Fiorentina e Genoa x Internazionale são, pelo menos do ponto de vista da tabela, as duas grandes partidas da 8ª rodada do Campeonato Italiano, que acontece neste fim de semana. Mais um reflexo das melancólicas fases que vivem Milan e Roma, que se enfrentam no estádio San Siro, em Milão.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009 milan, técnicos | 11:12

Como Leonardo virou técnico do Milan

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O vídeo só vale para quem entende italiano. Mas, pra quem entende, vale muito. Trata-se de uma divertida “teoria” sobre como o Milan ‘convenceu’ Leonardo a aceitar virar técnico do time: sequestrando seus filhos em Milanello e ameaçando colocá-los como vítimas de uma carrinho de Flamini.

Uma vez ‘aceito’ o desafio, Leonardo passa a conhecer os planos do Milan para a temporada. Planos que incluem, entre outras coisas, a venda de Kaká, a aposta em nomes como Oddo e Jankulovski e a contenção de despesas até mesmo nas refeições oferecidas no centro de treinamento de Milanello.

Segundo a “teoria”, a finalidade da economia é Berlusconi poder gastar seu dinheiro com “putanne russe e ville in sardegna”.

É bem engraçado. Tanto que, apesar da fase, até mesmo Leonardo deve ter dado suas risadas…

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terça-feira, 29 de setembro de 2009 inter, liga dos campeões, técnicos | 15:49

E agora, José?

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mourinhoDepois do empate por 1 x 1 com o Rubin Kazan, agora há pouco, a Internazionale de José Mourinho completou sete jogos seguidos sem vitória na Liga dos Campeões — um recorde do clube. A série é negativa, mas o resultado, pelo que aconteceu em campo, entre bolas na trave e defesas de Júlio César, foi para os italianos comemorarem.

Mourinho ainda não falou, mas provavelmente se eximirá de qualquer culpa e sairá dando patadas em quem ousar questionar sua competência.

Nos últimos dias, tem sido assim. Quando lhe perguntaram, depois da derrota para a Sampdoria, se o técnico Gigi Del Neri seria sua “asa-negra”, o português respondeu com ironia, agredindo desnecessariamente o treinador italiano e fazendo uma ilação descabida: Del Neri foi demitido do Porto alguns meses depois que ele, Mourinho, venceu a Liga dos Campeões com o mesmo time. Por isso, no raciocínio torto do português, Del Neri não poderia ser sua “asa-negra”, mesmo que lhe derrote ano após ano, década após década, século após século.

Zdenek Zeman, importante técnico tcheco com enorme tradição no futebol italiano, Mourinho disse desconhecer. Não é verdade. É que o português se irritou quando Zeman disse que a Inter não mostrou nada de novo desde a chegada de seu badalado treinador. “Mourinho só está na Inter porque é um grande gestor de jogadores”, disse o tcheco.

Para Zeman, a única novidade que Mourinho trouxe ao futebol italiano foi “na comunicação, com a qual esconde a própria mediocridade”.

Talvez seja exagero, mas o fato é que a Inter de José Mourinho, por enquanto, não tem jogado o futebol que deveria jogar com o ótimo elenco que tem. E se alguém contesta alguma de suas decisões incompreensíveis, como tirar Balotelli (que hoje bobeou ao ser expulso) do jogo contra a Sampdoria, o português diz que o fez porque “é o técnico e é quem manda”.

Enquanto seu time ganhava e correspondia em campo, as respostas atravessadas de Mourinho tinham um lado cômico (eu gostava), do técnico mal-humorado por natureza, que externava sua pouca paciência com a imprensa através da própria. Acho até que Mourinho fez a Itália repensar seus programas de TV, suas entrevistas, suas intermináveis discussões sobre arbitragem.

Mas, se a Inter não voltar a jogar bola, as respostas do técnico ganharão mais importância para torcedores, dirigentes e acionistas do clube. E aí, antes de atacar os outros, ser irônico ou exibir seu mau humor, o técnico terá que explicar por que esse milionário elenco da Inter não está jogando nada.

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terça-feira, 22 de setembro de 2009 campeonato italiano, inter, jogadores, milan, técnicos | 12:16

Quanto ganham os jogadores na Itália

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No começo do mês, o jornal La Gazzetta dello Sport divulgou os salários anuais de todos os jogadores que atuam na Série A do Campeonato Italiano. Levei um tempinho, mas enfim consigo colocar por aqui algumas observações curiosas (ou simplesmente relevantes) a respeitos das cifras reveladas.

* Primeiro, vale citar a seleção dos mais bem pagos do Italiano 2009-10. O time, que conta com os jogadores de melhores salários em suas posições, é formado por (ganho líquido anual, em milhões de euros, entre parênteses): Buffon (5,5), Maicon (4,5), Lúcio (4,5), Nesta (4) e Chivu (3,5); Pirlo (5), Vieira (5,5), Sneijder (4) e Totti (5,4); Ronaldinho (7,5) e Eto’o (10,5).

* Se considerarmos os valores brutos consumidos pelos 20 clubes da Série A apenas em salários, a Inter gasta mais que 8 times somados: Atalanta, Chievo, Livorno, Catania, Siena, Udinese, Cagliari e Bologna. Confira na lista abaixo quanto gastam os 20 clubes da Série A em salários de jogadores (sempre por ano, em milhões de euros):

1) Inter, 150
2) Milan, 125,5
3) Juventus, 115
4) Roma, 69,7
5) Fiorentina, 40
6) Genoa, 38
7) Napoli, 37
8) Lazio, 32,9
9) Palermo, 30
10) Parma, 26
11) Sampdoria, 24
12) Bari, 20
13) Bologna, 20
14) Cagliari, 19
15) Udinese, 18
16) Siena, 17,5
17) Catania, 17,5
18) Livorno, 14,3
19) Chievo, 13
20) Atalanta, 13

* A disparidade entre alguns clubes é tão grande que os ganhos de todos os jogadores do Bari, somados, não chegam à cifra que Samuel Eto’o, sozinho, recebe da Internazionale. Obviamente, o mesmo vale para os jogadores de Bologna, Cagliari, Udinese, Siena, Catania, Livorno, Chievo e Atalanta em relação ao camaronês.

* Antonio Cassano, principal astro da líder Sampdoria e melhor jogador do Italiano até aqui, recebe 2,8 milhões de euros anuais em salários. Menos que o interista Suazo (3,5), o milanista Boriello (3) ou o juventino Poulsen (3,3). Já o artiheiro do Campeonato, Di Natale, da Udinese, ganha 1 milhão — o mesmo que Orlandoni, terceiro goleiro da Inter.

* Entre os técnicos, José Mourinho é de longe o mais rico. Recebe, limpos, 11 milhões de euros por ano da Inter, superando até mesmo seu comandado Eto’o, jogador mais bem pago do torneio (10,5). A diferença do português em relação aos demais técnicos é enorme: na segunda colocação aparece Cesare Prandelli, da Fiorentina, com 1,8 milhão/ano. Em terceiro está Claudio Ranieri, da Roma, com 1,6. E depois, empatados, vêm Gasperini (Genoa), Ferrara (Juventus), Leonardo (Milan) e Donadoni (Napoli), todos com um ganho anual de 1,2 milhão. Os outros 13 técnicos da Série A recebem menos de 1 milhão.

Quanto ganham os brasileiros no Italiano 2009-10? A lista abaixo mostra que Dida, dono do terceiro melhor salário do Milan, recebe o mesmo que Júlio César. E Ronaldinho, hoje um reserva milanista, lidera a relação com folgas:  

1) Ronaldinho (Milan) 7,5
2) Maicon (Inter) 4,5 e Lúcio (Inter) 4,5
4) Dida (Milan) 4 e Júlio César (Inter) 4
6) Diego (Juventus) 3,8
7) Amauri (Juventus) 3,5 e Mancini (Inter) 3,5
9) Thiago Motta (Inter) 3
10) Felipe Melo (Juventus) 2,6
11) Thiago Silva (Milan) 2,5
12) Júlio Baptista (Roma) 2,25 e Juan (Roma) 2,25
14) Doni (Roma) 1,9
15) Cicinho (Roma) 1,85
16) Taddei (Roma) 1,1
17) Pato (Milan) 1
18) Matuzalém (Lazio) 0,9
19) Fábio Simplício (Palermo) 0,85
20) Adaíton (Bologna) 0,85 e Rubinho (Palermo) 0,85
22) Barreto (Bari) 0,75
23) Felipe (Udinese) 0,6
24) Jeda (Cagliari) 0,55 e Nenê (Cagliari) 0,55
26) Piá (Napoli) 0,5
27) Reginaldo (Siena) 0,45
28) Ferreira Pinto (Atalanta) 0,4, Mozart (Livorno) 0,4 e Cribari (Lazio) 0,4
31) Arthur (Roma) 0,35 e Luciano (Chievo) 0,35
33) Filipe (Siena) 0,16
34) Ariel (Chievo) 0,15 e Rafael Santos (Bologna) 0,15
36) Marcus Plínio (Livorno) 0,1

N/D: Júlio Sérgio (Roma), Wellington (Udinese), Alemão (Udinese) e Wilker (Genoa)

Os recortes e observações que coloquei acima são só algumas das muitas possibilidades de análise sobre as listas divulgadas pela Gazzetta. Quem quiser tirar suas próprias conclusões (e dividi-las conosco nos comentários abaixo, claro), pode fazê-las analisando as listas dos seis clubes que mais gastam com salários, publicadas na imagem abaixo.

salariositaliano
Se desejar ver também as relações dos demais clubes, vá ao site da Gazzetta dello Sport.

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