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Posts com a Tag claudio ranieri

segunda-feira, 27 de setembro de 2010 campeonato italiano, roma | 11:15

5 minutos sem fama

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Pela Roma, até aqui, ele só sorriu na apresentação

Após a vitória da Roma por 1 a 0 sobre a Inter, no sábado, Adriano deixou o campo sem graça, enquanto seus colegas comemoravam entre sorrisos e abraços.

A explicação é um fato que passou meio batido diante da euforia após o gol marcado por Vucinic nos acréscimos do 2o tempo: Adriano, a exemplo do que já fizera na Inter com o técnico Roberto Mancini, irritou-se com Claudio Ranieri, que pretendia colocá-lo em campo a pouco mais de 5 minutos do fim do jogo. Resultado: Ranieri mudou a substituição, colocou Júlio Baptista (que teve duas chances de marcar) e viu seu time arrancar a vitória justamente quando Adriano deveria estar em campo.

O brasileiro, mesmo gordo após mais de um mês do início do campeonato, talvez considere que os 2,85 milhões de euros que a Roma lhe paga por ano não sejam suficientes para obrigá-lo a jogar 5 minutos. Talvez se considere melhor que Vucinic, que entrou faltando 10 minutos e decidiu o jogo. Talvez simplesmente não pense antes de ter chiliques: porque Adriano, que jogou apenas alguns minutos de uma das cinco partidas da Roma no Italiano, não está com crédito para estrelismos do gênero. Pelo contrário.

Ao contratar o atacante, direção e a comissão técnica da Roma admitiram estar fazendo uma aposta arriscada. A julgar pelo início da temporada, a aposta começou a ser perdida bem antes do que a torcida imaginava.

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sexta-feira, 23 de abril de 2010 campeonato italiano, roma | 16:26

Era uma vez um banana

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"Banana, io"?

Não , não sou da turma dos que supervalorizam trabalhos de técnicos e suas linhas de 3, 4 ou 11. Mas, na última semana, o futebol italiano viu dois treinadores fazerem, de fato, a diferença.

José Mourinho foi determinante para que a Internazionale conseguisse anular Messi e Xavi e abrisse boa vantagem nas semifinais da Liga dos Campeões. Foi devidamente reconhecido pela imprensa europeia e brasileira. O mesmo não ocorreu com o romanista Claudio Ranieri, sobre o qual pesa o estigma de perdedor — só venceu uma Copa e uma Supercopa da Itália pela Fiorentina, além de uma Copa do Rei pelo Valencia — e, pior, de banana.

Pois o segundo adjetivo deve ser cortado da sua lista de características: substituir Totti e De Rossi no intervalo do derby, no qual sua Roma perdia por 1 x 0 para a Lazio, foi o ato mais corajoso de um técnico italiano nos últimos anos. Tivesse perdido a partida — e esteve perto disso antes de Julio Sergio defender um pênalti —, Ranieri teria sido massacrado por torcedores e jornalistas. Porque ainda que Totti e De Rossi, os melhores e mais emblemáticos jogadores da Roma, já tenham provado não ter condições psicológicas de jogar partidas decisivas quando a equipe sai perdendo, substituí-los é tarefa ingrata na capital italiana.

No primeiro tempo, quando ambos receberam cartão amarelo por lances estúpidos, eu apostava que ao menos um deles seria expulso no 2º tempo. Não foram, porque Ranieri não deixou que voltassem. A Roma virou o jogo e conquistou 3 pontos que podem ser essenciais para que o técnico conquiste o scudetto e deixe de lado a fama de perdedor. A de banana, definitivamente, ele já deixou.


Aproveito e publico também a coluna do Jornal Placar da semana passada, que deixei passar, por esquecimento. O tema, aliás, é relacionado.

O time e o craque

 

“Que coisa ridícula! Basta o cara tocar na bola que todo mundo fica louco”. A frase, dita pela minha namorada, escapou quando assistíamos ao jogo entre Roma x Torino no estádio Olímpico da capital italiana, no dia 31 de maio do ano passado. Seria inócuo tentar explicar a ela os motivos da idolatria da torcida da Roma por Francesco Totti, que naquele dia buscava marcar seu gol de número 200 com a camisa do time. O gol saiu, enfim, aos 38 do segundo tempo, de pênalti, o que levou aquele monte de camisas 10 espalhadas pelo estádio a um estado de êxtase incompreensível para uma torcida já sem objetivos no campeonato.

Francesco Totti já é para muitos na cidade — para a maioria, creio — o maior jogador da história da Roma, superando nomes como Bruno Conti e Falcão. Se vier a conquistar seu segundo scudetto neste ano, será incontestavelmente insuperável na história romanista. E aí há o perigo de cairmos na injustiça de atribuir majoritariamente ao seu capitão o eventual título romanista desta temporada — boa parte da imprensa italiana já deu pista que isso deve ocorrer ao destacá-lo em versão solo para simbolizar a liderança assumida na rodada passada. Não será justo: da incrível marca de 23 jogos invicta no Italiano, vale lembrar, a Roma não contou com Totti em 11. E este time, ajustado pelo sempre criticado (por mim, inclusive) Claudio Ranieri, já chegou onde chegou.

Totti é o melhor jogador da Itália hoje. Um dos melhores que vi jogar. Jogasse no Real Madrid ou no Milan, teria seu nome gravado com mais força na história. Mas não é porque a Roma não é o Real Madrid que o seu possível título deverá ser atribuído ao seu único craque. Até porque, como mostra o próprio Real, craques muitas vezes não dizem nada…

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quarta-feira, 21 de abril de 2010 inter, jogadores, vídeos | 10:38

O fim da linha

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Tinha tudo pra ser uma noite só de festa depois da incontestável vitória da Inter por 3 x 1 sobre o Barcelona, pelas semifinais da Liga dos Campeões. Mas a estupidez de Mario Balotelli, de novo, fez mais barulho.

Depois de se declarar torcedor do Milan e de ser flagrado pela TV vestindo a camisa do arquirrival, o garoto que eu, então otimista, apresentava neste blog em setembro de 2008, deu mais um exemplo de que será a cabeça a tornar sua carreira muito menos significativa do que poderia vir a ser – vale lembrar que há não mais de dois meses a imprensa italiana pedia sua convocação para a Copa do Mundo.

Nesta terça, porém, durante o jogo no qual atuou (sem vontade) por apenas alguns minutos, Balotelli irritou-se com as vaias da torcida (que, compreensivelmente, não o vê mais com bons olhos) e não titubeou em xingá-la, sem se preocupar (de novo) com as câmeras. Ao deixar o campo, fez pior: tirou a camisa da Inter e atirou-a ao chão, com desprezo, sendo ainda mais vaiado. Veja a cena:

Depois do episódio, entre seus colegas, apenas Stankovic tentou contemporizar (foi ele, aliás, quem pegou a camiseta do chão). Materazzi, o rival Ibrahimovic é quem garante, tentou bater em Balotelli no túnel que dava acesso ao vestiário – foi contido. José Mourinho, como que repreendendo a uma criança de 7 anos, chamou o gesto de “muito feio”. O capitão Javier Zanetti afirmou que Balotelli “estragou a festa”. E o diretor Ernesto Paolillo classificou o gesto como “péssimo, absolutamente péssimo”.

Apesar da conhecida generosidade do dono da Inter, Massimo Moratti, com seus jogadores (Adriano e Ronaldo que o digam…), parece que Balotelli chegou ao fim da linha na Inter. Nesta temporada, então, seria burice de José Mourinho voltar a escalá-lo em qualquer jogo. E Mourinho não é burro.

Resta à Inter tentar ganhar um troco para se livrar deste problema chamado Balotelli. Para tal, precisará encontrar um comprador com a mesma inteligência do atacante.

Lazio 1 x 2 Roma
Fiquei em falta, como já virou costume, depois da incrível virada da Roma sobre a Lazio. Mas, se ainda não escrevi sobre o tema, o farei nesta quinta. E os méritos todos, já adianto, irão para Claudio Ranieri, o técnico romanista que virou o técnico mais macho do mundo. Perto de sua coragem para tirar os então desequilibrados Totti e De Rossi (scusate, ragazzi, mas é preciso admitir), o pênalti defendido por Júlio Sérgio virou fichinha.

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terça-feira, 5 de maio de 2009 campeonato italiano, inter, juventus, milan, roma | 10:01

Uma crise de todos

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No mundo do futebol, se um time está “em crise”, invariavelmente algum de seus rivais estará em alta. Porque o estar mal, em geral, pressupõe que há uma outra equipe ocupando seu lugar e conseguindo as vitórias que você não consegue, certo? Errado. Pois cheguei à conclusão, depois da rodada do último fim de semana, que o Campeonato Italiano conseguiu o incrível feito de ter, de um jeito ou de outro, todos os seus principais times, aqueles que eram candidatos ao título no início da temporada, “em crise”. Isso inclui, incrivelmente, até a campeã. Vamos conferir:

* Comecemos pela mais óbvia das crises, a da Roma. Cuja torcida presente no estádio Olímpico no empate por 0 x 0 contra o Chievo (!) trocou as músicas de Antonello Venditti por sonoras vaias, protestou entrando só no fim do jogo e ainda gastou um monte de pano para levar faixas com a inscrição “vattene” (numa tradução livre, “se mandem”) não se sabe bem se para a presidente Rosela Sensi, se para o técnico Luciano Spalletti ou se para boa parte do elenco. Aliás, sabe-se: para todos eles, com exceção de Totti (claro..), De Rossi, Brighi e Vucinic.

* Também na linha das crises tradicionais está a da Juventus, onde o técnico Claudio Ranieri está tão sozinho que chega a dar dó – mas ao contrário do antecessor Deschamps, que passou pelo mesmo, o italiano garante que não vai pedir as contas. Capítulo curioso e novo foi o fato de Buffon, no intervalo, ter entrado em campo antes dos colegas, bufando (desculpem o trocadilho) e xingando muito. Diiiizem que teria ficado puto com Camoranesi e Del Piero, que teriam tido um sério bate-boca nos vestiários, quando a Juve ainda perdia do Lecce por 1 x 0. Coincidência ou não, ambos foram substituídos. E a Juve virou. Mas, como não podia deixar de acontecer com um time em Crise com cê maiúsculo, mesmo em Turim, levou o empate do poderoso vice-lanterna já nos acréscimos.

* E a campeã? Já escrevi na coluna do Jornal Placar da semana passada que a Inter é a campeã mais melancólica da Europa. Tivesse esperado uma semaninha para escrever o tal texto, poderia ter incluído o inacreditável episódio do último sábado, quando Ibrahimovic, o craque do time, fez o primeiro gol dos 2 x 0 sobre a Lazio e saiu fazendo gesto para a própria torcida, que o vaiava pelas recentes declarações de que pretende deixar o clube, calar a boca. Só pra lembrar, estamos falando da atual e futura campeã italiana. Campeã em crise, pra mim, é demais…

* Aí tem o Milan, que, alguns podem argumentar, até que voltou a jogar bem, ganhou a segunda colocação da Juventus e, bem o mal, está fechando o Italiano de um jeito melhor do que se esperava depois da eliminação na Copa da Uefa. Mas… com a palavra, o volante Seedorf, depois dos 2 x 0 sobre o Catania no domingo: “A gente tem que tomar cuidado para estas vitórias não esconderem as coisas e mudarem o que o clube estava planejando e precisa fazer para a próxima temporada”. Tem toda razão (e me parece que o próprio vice-presidente Galliani já havia dito algo nessa linha). Porque o Milan pode não estar vivendo uma crise nestes últimos jogos, mas vive, ainda, uma temporada de crise. E mascarar suas deficiências com bons (e inúteis) resultados nessa reta final pode ser bem prejudicial para a próxima temporada.

* E, por fim, até a Fiorentina (ou vocês não lembram que também ela era apontada como candidata ao título?). Que me perdoem os florentinos, como minha querida família materna, mas a crise da Fiorentina, hoje, é técnica. Porque o time pode até ter batido o Torino por 1 x 0 no domingo, mas, como em suas últimas partidas, não jogou absolutamente nada. Talvez a equipe não tenha, neste Italiano, jogado tão mal como nos últimos jogos. A diferença da Fiorentina para a Juve, hoje, é que ela não joga nada, mas, ao contrário do time de Turim, vence. Para tristeza do Genoa, que tem feito mais para merecer a quarta vaga na Liga dos Campeões. E que é o primeiro time da tabela do Italiano a não estar, de um jeito ou de outro, em crise.

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