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Posts com a Tag dunga

sexta-feira, 12 de março de 2010 jogadores, milan | 12:57

Exageros do “Caso Gaúcho”

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Ronaldinho Gaúcho teve atuação discreta na vexatória eliminação do Milan diante do Manchester United pela Liga dos Campeões. Tão logo acabou o jogo, os antirronaldistas, que andavam sumidos, ressurgiram em fóruns na internet e e-mails dirigidos a programas de TV. “Estão vendo? Nas horas importantes ele some!”, diziam em linhas gerais, raivosos, lembrando as fracas atuações do Gaúcho contra Inter e Roma, pelo Campeonato Italiano.

O debate sobre a convocação ou não de Ronaldinho tem suscitado ódio e exagero. Nos casos acima, ódio por Ronaldinho. Na maioria dos casos, ódio por Dunga: baseados nos últimos quatro ou cinco meses do bom futebol apresentado por Ronaldinho na Itália, críticos têm visto no técnico da seleção um ex-cabeça-de-bagre intransigente, rancoroso e turrão, disposto a transformar a seleção num time de Dungas.

Eu levaria Ronaldinho à Copa. Mas Dunga, que pode até ser intransigente, rancoroso e turrão, tem motivos compreensíveis para não levá-lo. Lembrar daquilo que se cobrava do técnico da seleção após o fracasso da Copa-2006 talvez seja um bom início para entendê-lo. Se Ronaldinho não vier a ser convocado não será um absurdo. E a decisão final de Dunga, seja qual for, não deveria fazer ninguém espumar de raiva.

Até porque já sabemos quais os desfechos possíveis da não convocação. Com o Brasil campeão, Dunga será exaltado por ter “mantido sua coerência e linha de trabalho”. Com o Brasil eliminado, todos terão a certeza que, com Ronaldinho, a história teria sido outra. Afinal, se o futebol está longe de ser uma ciência exata, o mesmo não se pode dizer sobre suas análises: estas, haja o que houver, estarão sempre atreladas aos resultados.

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segunda-feira, 22 de junho de 2009 azzurra | 13:35

É mudar. Ou mudar de vez

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Estou de volta. E depois de mais de duas semana na Itália (e outros tantos dias na Espanha) não faltam temas para este blog. Vou procurar, nos próximos dias, tratar dos assuntos que esquentam o noticiário italiano e passar por aqui um pouco do clima dos torcedores que captei por lá. Agora, contudo, o tema tem que ser o fiasco da Itália na Copa das Confederações.

Eu bem sabia que não ia dar certo esse negócio de colocar a Lazio para representar a Azzurra na África do Sul… ; )

Brincadeiras sobre o uniforme à parte, e em que pese a ótima atuação da seleção brasileira, foi o pior jogo da Itália nos últimos tempos. Segundo o próprio Marcelo Lippi, “é a pior fase” desde que ele assumiu o time. Para Buffon, “foi melhor sair agora” pra não levar outra cacetada, talvez ainda pior, da Espanha. E a Gazzetta dello Sport, desde a derrota para o Egito, segue chamando os jogadores de múmias. Climão…

Não surpreende o fato de a Itália não ter criado muitas chances contra o Brasil. Primeiro porque, afinal, o rival era o Brasil. Segundo porque nunca impressiona o fato de a Itália não criar. E terceiro porque essa seleção italiana não conta com jogadores excpecionais, aqueles capazes de tirar leite de pedra — Pirlo, talvez, seja quem mais se aproxime dessa categoria no atual grupo da Azzurra; mas é pouco.

Hoje, como há um bom tempo, o futebol italiano tem apenas três jogadores nessa categoria, e nenhum deles está na atual seleção de Lippi, cada um por um motivo. Del Piero, porque já está na fase descentente de sua carreira e, convenhamos, porque poucas vezes mostrou na seleção o mesmo futebol da Juventus. Caso parecido com o de Totti, que, contudo, abriu mão da Azzurra (mas há quem diga que, se Lippi pedir, ele volta). E Cassano, indiscutivelmente o melhor jogador Italiano da Série A e a quem o treinador só não chama por questões disciplinares e de grupo.

Lippi sempre se orgulhou, com razão, de ter formado um elenco muito unido para jogar a Copa de 2006. Agora, acho eu, terá que se orgulhar de conseguir manter a união desse grupo mesmo com a presença de um maluco como Cassano. Porque abrir mão de sua qualidade em um ataque como o seu é loucura. E a volta de Totti, bem mais que a de Del Piero, não seria nada mal. São temas que certamente entrarão em pauta na imprensa esportiva italiana nos próximos dias.

Se a postura ofensiva da Itália não surpreendeu, a defensiva foi uma surpresa e tanto. Porque não me lembro, sinceramente, de a Azzurra ter dado tanto espaço a um adversário, por melhor que este fosse.

A questão ontem, acho, foi mais tática do que de escolha dos jogadores (porque a dupla Cannavaro/Chiellini é mesmo o que Lippi tem de melhor). Mas a opção por escalar o limitado Dossena (como alguém como ele chega ao Liverpool?) e não ter em nenhum momento testado o promissor Santon é talvez o melhor exemplo (ao lado da manutenção de Rossi no banco) do quanto Marcelo Lippi reluta para renovar a seleção italiana.

Ou relutava. Porque, depois do fiasco na copa da Confederações, acho que não lhe restarão muitas opções. Como diria aquele famosos apresentador, chegou a hora de mudar. Ou mudar de vez.

“De brinde”, as notas da Gazzetta para os jogadores da partida de ontem:

Itália
Buffon 6,5; Zambrotta 4, Cannavaro 4,5, Chiellini 5 e Dossena 4,5; Pirlo 5,5, De Rossi 4,5 e Montolivo 4,5 (Pepe 5,5); Camoranesi 6, Toni 4 (Gilardino 6) e Iaquinta 4 (Rossi 6). Marcelo Lippi 4.

Brasil
Júlio César 6,5, Maicon 7, Lucio 8, Juan s/n (Luisão 7) e André Santos 6,5; Gilberto Silva 7,5 (Kleberson s/n), Felipe Melo 7, Ramires 6,5 (Josué s/n) e Kaká 7; Robinho 8 e Luis Fabiano 8. Dunga 8.

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segunda-feira, 6 de abril de 2009 campeonato italiano, milan | 11:19

Ancelotti e um recado para Dunga

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Daqui a pouco falamos da rodada do Italiano, olhando para a provável falta de emoção que vem pela frente. A Inter ficou ainda mais perto do título; e o Genoa, graças a um gol de Thiago Motta, mais perto da Liga dos Campeões.

A única surpresa da rodada, convenhamos, é Ronaldinho Gaúcho sair do banco de reservas do Milan para garantir a vitória sobre o Lecce, já nos acréscimos da partida disputada no San Siro. Ser herói, ultimamente, tem muito mais a ver com Thiago Motta do que com Ronaldinho Gaúcho.

Falo de Ronaldinho só para relatar o que Carlo Ancelotti, após a partida, respondeu aos jornalistas do programa La Domenica Sportiva que lhe perguntaram sobre a decisão de Dunga ter escalado Ronaldinho Gaúcho como titular contra o Equador — e não ter dado uma chance similar para Pato, o melhor atacante do Milan nesta temporada.

Pouco depois de reiterar a idéia de que Pato, hoje, tem mais condições de jogo do que Ronaldinho, Ancelotti lembrou-se dos tempos em que jogava contra Dunga pelo Italiano:

“É preciso tomar cuidado na hora de falar do Dunga, porque se ele nos escuta corremos o risco de nos machucar”.

Lhe disseram, então, que Dunga havia reclamado do fato de Ronaldinho não jogar no Milan, o que prejudicaria as condições do brasileiro no serviço à seleção brasileira.

A resposta de Ancelotti: “Esses são lugares comuns. O Ronaldinho está aqui, eu o vejo todos os dias. E o Milan tem grandes jogadores, infelizmente eu não posso fazer todo mundo jogar”.

Veio então a brilhante intervenção do comentarista/humorista/milanistas Teo Teocoli:

“Pera lá! A gente já fica treinando o Beckham para jogar com a Inglaterra. Não dá pra ficar treinando também o Ronaldinho para o Brasil. O Milan não é centro de treinamento de seleções, né?”

Ancelotti sorriu. E se despediu.

Para encerrar: se Ronaldinho não joga como titular no Milan, Dunga que nos perdoe, mas a culpa não é culpa de Ancelotti. É?

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 azzurra | 19:15

As notas de Brasil 2 x 0 Itália

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Foto Reuters
Pato não teve chance de levar uma notinha; Zambrotta foi o melhor da Itália

Daqui a pouco falo mais da partida, da arbitragem, do clima do estádio e (não resisto) da transmissão da Globo. Por enquanto, vamos às notas de Brasil 2 x 0 Itália, jogo que não apenas ‘salva’ (ou não) o pescoço de Dunga, como coloca o Brasil à frente dos italianos no retrospecto histórico (6 vitórias contra 5) e impede Marcelo Lippi de chegar sozinho ao recorde de 32 jogos invicto com a seleção italiana. Como se vê, foi bem mais que um amistoso…   

BRASIL

Júlio César 8
Esteve seguro mesmo sem ser muito exigido. Isso até os minutos finais, quando fez uma defesa espetacular que impediu uma pressão maior. Até quando vão discutir sua escalação?

Maicon 5,5
Esteve abaixo de sua média na qualidade de apoio ao ataque. Mas não deixou o lado esquerdo da Itália atacar, principalmente no primeiro tempo.

Juan 7,5
Não fosse um errinho no segundo tempo, teria tido uma atuação impecável. O melhor zagueiro em campo, pra variar.

(Thiago Silva, sem nota)

Lúcio 6
Esteve abaixo de Juan, o que não quer dizer que tenha jogado mal. Seguro.

Marcelo 6
Se arriscou mais que Maicon no ataque. Mas talvez por isso tenha deixado mais espaço na defesa.

Gilberto Silva 5,5
Menos presente do que o outro volante, Felipe Melo. Mas desempenhou seu papel, que não é lá um papel principal.

(Josué, sem nota)

Felipe Melo 6
Foi bem, marcou direitinho, mas também não vamos exagerar. Combinado?

Elano 7,5
O melhor em campo no primeiro tempo. Lúcido, atuante e preciso, fez um belo gol em jogada iniciada por ele mesmo. Mas caiu muito na segunda etapa.

(Daniel Alves, 5,5)

Ronaldinho Gaúcho 5,5
Duas firulas (uma errada), dois ou três bons passes (simples) e um sorriso pra alegrar o Galvão. Agora mesmo estou ouvindo, na TV, gente dizendo que “ele voltou”. Vai entender…

Robinho 8
um golaço e um belo passe para o gol de Elano. Foi só, mas precisa de mais em um jogo como esse?

(Júlio Baptista, sem nota)

Adriano 5
Não vi.

(Pato, sem nota, mas devia ter entrado antes, não?)


ITÁLIA

Buffon 6
Sem culpa nos gols, jogou como (bom) zagueiro por duas ou três vezes. No segundo tempo, não foi exigido.

Zambrotta 7
O melhor da Itália na defesa (no segundo gol a falha foi do Pirlo). E também no ataque, pelo menos antes da entrada de Rossi.

Legrotaglie 5
Como Cannavaro, errou bastante, especialmente no posicionamento, durante o primeiro tempo.

Cannavaro 5
Apesar no nome, não foi melhor que seu companheiro de zaga. Mal.

Grosso 6
No primeiro tempo, esteve mais presente no ataque e fez o gol mal anulado. No segundo, cansou, subiu menos e caiu de produção.

De Rossi 5,5
Muito abaixo do que costuma jogar, tanto na Roma como na seleção. Só um bom chute de longe.

(Aquilani, sem nota)

Pirlo 5,5
Bobeou feio e entregou o segundo gol, é verdade. Mas era quem criava todas as jogadas da Itália até então. No segundo tempo, saiu cansado, como já se previa.

(Dossena, 5 ou 4,5
Quando um time tem que tirar Pirlo para colocá-lo em campo…)

Montolivo 5
Sumido em campo, sua escalação desde o início foi surpreendente. Sua atuação, não.

(Perrotta 5,5
Sua única vantagem em relação a Montolivo foi ter aparecido mais. O que não quer dizer bem)

Pepe 5
Não vi, exceto quando torceu o pé.

(Camoranesi 5,5
Também apareceu mais do que Pepe. Não criou muito, mas pelo menos marcou mais)

Gilardino 5
É verdade que a bola precisaria chegar mais. Mas sua escolha para jogar no lugar de Toni foi justamente porque ele deveria buscar mais o jogo.

(Toni 5,5
Levou mais perigo que Gilardino, obrigou Júlio César a fazer ótima defesa, mas também beneficiado pela entrada de Rossi)

Di Natale 5
Depois de um ótimo começo pela seleção, sumiu. Como, aliás, tem acontecido na Udinese.

(Rossi 7
A melhora da Itália no segundo tempo se deve principalmente a ele, que criou quase todas as jogadas).

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009 azzurra, jogadores, juventus | 15:15

Convocaram ou não, eis a questão

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Para mais charges de Milton Trajano, clique aqui

No domingo, o presidente da Juventus, Cobolli Gigli, já tinha dito que não recebeu nenhum comunicado sobre a suposta convocação de Amauri pela seleção brasileira.

Hoje, três dias depois de a CBF ter anunciado o chamado, o técnico Claudio Ranieri diz o seguinte: “Não houve nenhuma convocação por parte do Brasil. A gente não recebeu nada”.

Dunga e a CBF poderão até argumentar que, como já sabiam da decisão da Juve, antecipada por Cobolli no sábado à televisão italiana, desistiram de fazer a convocação “oficialmente”.

Mas se ninguém entrou em contato com a Juventus em momento algum (não temos por que duvidar disso), por que a CBF escreveu, em nota oficial divulgada no sábado, que “A comisão técnica da Seleção Brasileira manteve contatos com a diretoria da Juventus e aguarda a autorização para concretizar a convocação de Amauri”?

No máximo, a julgar por outra nota divulgada pela mesma CBF ontem, “Amauri comunica à CBF que não conseguiu liberação para jogo contra Itália”, a entidade entrou em contato apenas com o jogador, um procedimento no mínimo estranho.

Diante de tudo isso, fica a pergunta: Dunga queria mesmo contar com Amauri?

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sábado, 31 de janeiro de 2009 azzurra, jogadores | 18:06

Amauri e as teses conspiratórias

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Dunga fez o que pôde para não convocar Amauri, mas não deu. Neste sábado, depois de confirmada a lesão de Luis Fabiano, o técnico chamou o atacante da Juve para enfrentar a Itália, dia 10 de fevereiro, em Londres.

Contra a vontade da mãe do jogador, que disse o seguinte: “Continuo a dizer que ele deve jogar pela Itália. O Brasil nunca lhe deu nada e agora vem essa convocação do Dunga, que só serve para queimá-lo. Dunga só o chamou porque o Luis Fabiano se machucou, e eu sempre disse que ele deveria vestir a camisa da Itália, um país que lhe deu tudo”.

Mas Dona Janete, a mãe, ainda pode manter duas esperanças. A primeira: para que Amauri pudesse jogar o amistoso, a Juventus precisaria liberá-lo, pois a convocação ocorreu fora do prazo estabelecido pela Fifa para que sejam chamados atletas que atuam no exterior. E o presidente da Juve, Cobolli Gigli, disse há pouco em uma entrevista à TV, logo depois da derrota por 3 x 2 para o Cagliari (sim, Amauri jogou), que não recebeu nenhum comunicado nesse sentido e que, mesmo que o aviso chegasse, “seria fora de hora”. “Não aceitaremos, e o jogador já foi comunicado”, disse. E assim…

… vão começar a chover, como de costume no mundo do futebol, uma série de teorias conspiratórias das mais cabeludas. Posso adiantar algumas delas:

1) O presidente da Federação Italiana de Futebol, Giancarlo Abate, e o técnico da Azzurra, Marcelo Lippi, pediram à diretoria da Juventus que, pelo bem do país, ela não liberasse Amauri. Assim o atacante poderia em breve ocupar o lugar de Luca Toni com a camisa azul. É a mais óbvia das teorias.

2) Amauri, receoso (como sua mãe) sobre suas reais chances de atuar na Copa pela seleção brasileira, teria pedido ao próprio clube que não o liberasse. Assim teria tempo de esperar o passaporte italiano e ainda verificar se Dunga voltará a chamá-lo pelo Brasil em outras oportunidades.

3) Dunga teria colocado em prática o italiano que aprendeu nos tempos de Fiorentina e, sem a mínima cerimônia, teria ligado à diretoria da Juve e antecipado: “Olha, eu o chamei, mas se vocês não quiserem liberá-lo, por mim, tudo bem”. Assim, o técnico viveria no melhor do mundos: encerraria as críticas que recebe por não chamar Amauri, sem, contudo, precisar escalá-lo.

Se nenhuma destas teses aparecer nos próximos dias, será porque a Juventus voltou atrás e acabou liberando Amauri apesar da frase de seu presidente, que hoje deve estar num baita mau humor. E aí, para Dona Janete, só restará a segunda esperança, de que seu filho não entre em campo no jogo contra a Itália. Se ficar apenas no banco, pelas regras da Fifa, Lippi ainda poderá sonhar em convocá-lo para a Azzurra.

* Post atualizado às 20h50.

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 azzurra | 15:34

Entra Felipe Melo; fica Amauri

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Não bastasse não ter sido convocado por Dunga para o amistoso da seleção brasileira contra a Itália, em fevereiro, o juventino Amauri ainda viu o treinador chamar Felipe Melo, da Fiorentina, pela primeira vez.

Não, eles não são inimigos, apesar de jogarem por times que protagonizam uma das principais rivalidades da Itália. E Felipe Melo tem feito por merecer: é um dos atletas que mais atuou pelo time de Florença nesta temporada e vem jogando muito bem, seja na marcação como na criação de jogadas.

Acontece que, ao convocar Melo, Dunga passa a mensagem que está atento àquilo que se passa em terras italianas. E mesmo assim ele prefere voltar a chamar Ronaldinho Gaúcho depois de três jogos (será exagero dizer que hoje Ronaldinho é reserva do Milan?) do que convocar Amauri.

Restaria a Dunga a argumentação de que Ronaldinho e Amauri são jogadores muito diferentes taticamente, o que é verdade: enquanto Ronaldinho, como Robinho, atua mais aberto, Amauri é um homem de área — setor para o qual o treinador não teria como deixar de lado Pato (em grande fase) e Luis Fabiano (seu salvador).

Dunga, contudo, escolheu argumentos errados para justificar a ausência de Amauri: entre eles o de que o brasileiro “não foi bem nas últimas partidas da Juventus“. “Últimas” quanto, pergunto. Só se forem as últimas três. Mesmo número de jogos que, suponho, o levaram a reconvocar Adriano. 

Mas, justificativas à parte  — já disse aqui que Dunga age corretamente em não chamar Amauri se fizer isso só para estragar suas chances de jogar pela Itália —, acho que agora o atacante da Juve não tem mais dúvidas: se Lippi chamá-lo para Azzurra, ele irá sem titubear.

Como seu passaporte italiano não saiu, contudo, isso não deve acontecer para o amistoso de Londres. Pena. Porque, não dá pra negar, seria divertido vê-lo estrear justamente contra o Brasil de Dunga…

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008 azzurra, campeonato italiano, copa da uefa, copa do mundo, inter, jogadores, juventus, milan, roma, técnicos | 12:40

20 perguntas para responder em 2009

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É isso, 2008 praticamente já se foi. E como para o futebol europeu o ano começa em julho e acaba em junho, nem dá pra gente fazer muitos balanços. Porque, se o final da temporada passada não foi legal para o calcio — italianos fora da final da Liga, violência, prisões etc —, o começo da temporada 2008-09 foi bem promissor — vários candidatos ao título, Ronaldinho, Mourinho, Beckham etc.

Melhor, agora, é olhar para frente. Porque não faltam boas perguntas a serem respondidas sobre o futebol italiano neste ano que está prestes a começar. Vou colocar aqui 20 delas (quem tiver mais que mande) e, como não sou de ficar em cima do muro, vou dar meus palpites pra cada uma. Quem encarar que faça o mesmo. 

1) Amauri jogará mesmo pela seleção italiana ou Dunga, na hora H, não vai permitir, convocando-o para  a seleção brasileira para enfrentar justamente a Itália, no dia 11 de fevereiro?
Pelo jeito, Dunga tremeu com a possibilidade de enfrentar Amauri e levar cacetadas e mais cacetadas se o atacante viesse a marcar pela Azzurra contra o Brasil. Agora, parece, a convocação será para a seleção Brasileira (aliás, Dunga, precisava o Júlio César te avisar sobre as qualidades do Amauri?!). Resta saber o quanto ele jogará. Tenho dúvidas sobre o que seria melhor para o atacante…
 
2) Adriano terá a enésima chance de voltar à Inter? Ou será que Mourinho e, principalmente, Moratti terão enfim chegado ao limite?
Meu bom senso não me permite acreditar que a Inter dará outra chance a ele. Aposto numa saída já em janeiro…

3) A Inter, hoje líder com seis pontos de vantagem no Italiano, continuará sobrando rumo ao tetracampeonato?
Sobrando, não. Essa diferença, acho, ainda será reduzida em algum momento – e acredito mais no Milan do que na Juve como segunda força. No final das contas, porém, o título irá mesmo para a Inter, sabe-se lá com qual vantagem.

4) E a postura de Mourinho? O português irá enfim parar de brigar com a imprensa italiana? Dependerá dos resultados para isso?
Mourinho incorporou um personagem e não parece disposto a mudar. Se perder, mal-humorado, terá mais motivos para criticar tudo e todos no futebol italiano. Se ganhar, seu moral vai para as nuvens. E aí, com o ego (ainda mais) inflado, alguém acha mesmo que ele vai parar?

5) Ibrahimovic, Kaká ou Del Piero: qual deles será escolhido o melhor jogador do Italiano?
A história diz que o melhor do campeonato pertencerá sempre ao campeão, e até por isso coloquei apenas os três como candidatos. Seguindo a mesma lógica, portanto, fico com Ibra. De novo.

6) Os garotos da Juventus, Marchisio, De Ceglie e Giovinco, seguirão em alta até o fim do campeonato?
Nessa “alta” atual sim: os três já mostraram que sabem jogar, embora nenhum deles tenha tido a regularidade necessária para ser mantido como titular indiscutível. O problema é que se a Juve seguir na Liga dos Campeões essa regularidade pode ser imprescindível.

7) Beckham será só um (eficiente) garoto-propaganda no Milan ou terá importância em campo? E, se tiver, tem chances de ficar?
Beckham será útil nesses poucos jogos que fará pelo dilacerado meio-campo milanista. Mas não o suficiente para que o Milan cogite uma loucura (financeiramente falando) a ponto de tirá-lo do Galaxy já. Sua passagem, no fim das contas, terá sido útil tanto do ponto de vista do marketing (mais) como do ponto de vista esportivo (menos). 

8) Como o Milan irá (se é que irá) resolver seus problemas defensivos sem Thiago Silva?
Sem a perspectiva da escalação do brasileiro e nem da volta de Nesta, a solução definitiva fica para 2009-10. O que não quer dizer que o Milan, com o meio-campo e ataque que tem, não possa dar trabalho no Italiano e, ainda mais fácil, conquistar a Uefa.

9) Como será o balanço final da primeira temporada de Pato e Ronaldinho no Milan?
Nem decepcionante, nem excpecional. Para ambos, algo entre uma nota 6,5 e 7. E ambos podem estourar em 2009-10.

10) A disputa entre Milan e Juventus para ver quem conta com mais ‘elenco’ no departamento médico continuará acirrada?
Não faço a menor idéia. Mas, sem Nesta e Gattuso, o Milan deve sentir mais as ausências. Até porque a Juve, entre os seus lesionados, tem o Zebina (maldade…).

11) E por falar em lesões, a de Totti durará quanto tempo? Era um mês, já virou dois. Quem dá mais?
Dois meses sem Totti já podem bastar para tirar a Roma da Liga dos Campeões. O fato, triste, é que Totti, o melhor jogador de futebol italiano hoje, não consegue mais passar dois meses seguidos jogando futebol.

12) Para compensar a tristeza romanista, Menez vai mesmo deslanchar, como ameaçou neste fim de ano? E Brighi continuará jogando tudo o que ninguém achou que jogasse?
Menez já mostrou ser bem mais que aquele jogador bizarro do começo de temporada. E a “ex-surpresa” Brighi, acho, até veio para ficar, dentro das suas limitações. Mas nada disso basta para compensar a possível ausência de Totti. Sem ele, a Roma não vai.

13) Napoli, Lazio e Genoa vão mesmo dar trabalho na briga por uma das quatro vagas na Liga?
Não. Se a Roma ficar mesmo fora dessa disputa, a Fiorentina já pode comemorar: a quarta vaga na Liga é sua. E, pra ousar ainda mais: o Napoli vai para a Uefa.

14) Quem será o artilheiro do Italiano: Ibrahimovic, Amauri ou nda?
Ibra.

15) Quem vai cair?
Sem surpresas: Chievo, Reggina e Lecce. Se um deles não cair, o Siena vai.

16) Cannavaro, Toni, Rossi, Grosso, Oddo, Dossena… Quem será (se é que haverá) o destaque italiano fora da Itália na temporada?
O tempo passa, o tempo voa, as críticas vêm e eu sigo sempre com Luca Toni.

17) Cassano chegará a ser convocado por Marcelo Lippi em 2009 para ter alguma esperança de ir à Copa de 2010?
Não é minha vontade. Mas Cassano está fora da Copa, desde já.

18) A boa dupla Gilardino e Mutu, da Fiorentina, continuará fazendo mais sucesso que a boa dupla Di Natale e Quagliarela, da Udinese?
Em seus clubes, sim. Se não brigarem por vaidade (afinal, quem é a estrela do time?), Gila e Mutu vão longe. Até porque, o que quer a Udinese? Mas é bom lembrar que a dupla Di Natale e Quagliarela, com Amauri descartado e Toni em baixa na Azzuurra, poderá mostrar serviço também na seleção.

19) Quem será o melhor e o pior brasileiro ao fim do Italiano 2008-09?
Os melhores, Kaká e Maicon. O pior, Adriano, mesmo saindo agora.

20) Onde vão parar, se é que vão parar, os italianos na Liga dos Campeões?
A Inter vai pagar a bobeada na primeira fase e cai já nas oitavas, contra o Manchester. A Roma, com Totti, passa do Arsenal. E a Juve, surpresa, elimina o Chelsea! Depois disso, sem saber o que o sorteio reserva, dar qualquer palpite já seria abusar da sorte, né?

E aí? Não quer deixar também as suas previsões?

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008 azzurra, jogadores | 17:01

Amauri joga nas duas

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Quando vi a notícia de que Amauri, da Juventus, disse à Radio Jovem Pan não saber de onde vêm os comentários sobre suas chances de jogar na seleção italiana, confesso que estranhei. Afinal, recentemente ouvi o próprio atacante falar orgulhoso dessa possibilidade, em entrevista à RAI.

Hoje, contudo, ele abusou. Duas entrevistas para dois veículos: um do Brasil, a rádio Jovem Pan, outro da Italia, a Sky Sport 1. Compare-as:

À Rádio Jovem Pan, do Brasil:
“Estão falando no jornal que chegou meu passaporte, que eu vou jogar aqui, que vou jogar lá. Mas não tem nada definido. Não sei o porquê desses comentários. São vozes sem fundamento, não sei o porquê dessas vozes. São coisas que os jornais escrevem só para dar noticia. Sou brasileiro. Quando chegar minha oportunidade na seleção brasileira, com certeza o meu sonho se realizará”, disse.
(Para ler a nota completa, no iG Esporte, clique aqui)

À Sky Sport 1, da Itália:
“Estou orgulhoso e muito honrado de saber que todos os torcedores italianos torcem por mim, para que possa chegar o meu passaporte e para que eu possa vestir a camisa da Itália. Vocês não podem imaginar, para mim é um orgulho imenso”, disse. E completou, ao comentar a chance de jogar pela Azzurra: “Não se sabe, o destino nos reserva as mais belas surpresas. É possível, como também não é, veremos”.
(Para ler a notícia em italiano, no Yahoo Italia, clique aqui)

Nas entrelinhas, acho que até dá pra pegar que a preferência do atacante é mesmo pelo Brasil — como, aliás, ele havia afirmado há algum tempo. Mas, convenhamos, não fica bem dar duas entrevistas tão distintas (não chegam a ser opostas…) sobre o mesmo tema no mesmo dia. Até porque é ignorar demais o poder da internet e da globalização da informação nos dias de hoje.

Não seria melhor se calar sobre o assunto? Acho até que ele sacou isso, tardiamente, porque na entrevista à Sky disse que só pretende voltar a falar do tema em 2009. Quando, se convocado por Dunga e por Lippi ao mesmo tempo, terá triunfado.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008 azzurra, imprensa, jogadores | 11:32

Amauri ou Amáuri?

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Esta fotomontagem acima, de Amauri com a camisa da seleção italiana, estampa a capa do jornal italiano Tuttosport de hoje.

Mas é bom esclarecer: embora a chamada diga “Amauri jogará pela Itália contra o Brasil no dia 10 de fevereiro”, a matéria do jornal de Turim é toda no condicional. “Amauri (na Itália, Amáuri) deveria receber sua cidadania italiana nas próxima semanas e poderia fazer sua estréia pela Azzurra justamente contra o Brasil, já no amistoso do dia 11 de fevereiro, em Londres”.

Devido à grande fase do atacante da Juventus, contudo, ninguém mais na Itália tem dúvidas: ainda que Marcelo Lippi não confirme (“não falo sobre hipóteses, quando ele puder ser chamado, veremos”, diz), logo que puder ser convocado para jogar pela seleção Italiana, Amauri estará na lista.

Até porque, pelo que tem dito, Dunga não parece nada inclinado a chamar o atacante para a seleção brasileira, que conta com sua preferência. Dunga, aliás, tem sido correto nesse sentido. Porque, se o treinador vê poucas chances de Amauri ficar para valer na seleção brasileira, seria sacanagem convocá-lo apenas para impedi-lo de atuar pela Itália mais pra frente.

Podemos discutir os critérios técnicos de Dunga ao convocar jogadores que vivem momentos muito inferiores ao de Amauri. Mas sua postura, por outro lado, é digna de elogios.

Resta saber se Dunga não mudou de idéia depois de ver Juventus 4 x 2 Milan, partida depois da qual os jornais italianos se derreteram em elogios ao brasileiro (hoje, por exemplo, a Gazzetta dello Sport o compara a Ibrahimovic e pergunta quem será mais decisivo na briga pelo scudetto).

E se também não mudou de idéia diante da perspectiva de Amauri fazer sua possível estréia pela seleção italiana justamente contra o Brasil. Porque alguém aí já imaginou a chuva de críticas ao técnico brasileiro se a Itália vence com dois gols de Amauri? Dunga deve estar imaginando…

Para encerrar, deixo a vocês uma pergunta: se agora o Dunga resolvesse convocar Amauri, o atacante deveria aceitar a convocação?

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